A decisão do deputado estadual Georgiano Neto de deixar o MDB abriu um novo capítulo de tensão política dentro da base de sustentação do governo no Piauí. A desfiliação foi formalizada com a entrega do pedido ao presidente estadual da sigla, senador Marcelo Castro, em meio a divergências sobre a estratégia eleitoral para 2026.

O movimento ocorre após o MDB encerrar a articulação e de chapas proporcionais cruzadas com o PSD, partido liderado no estado pelo deputado federal Júlio César, pai de Georgiano. A mudança alterou o cenário de alianças discutido entre os partidos que compõem o grupo político de apoio ao governador Rafael Fonteles.

Nos bastidores, a decisão foi interpretada como um gesto que amplia o desgaste dentro da coalizão governista, já que MDB e PSD integram o mesmo campo político e participam da base que sustenta a gestão estadual. A saída de um dos principais quadros da Assembleia Legislativa levanta questionamentos sobre a estabilidade das articulações entre os partidos aliados.

Integrantes da base avaliam que o momento exige cautela para evitar que divergências eleitorais antecipadas comprometam a unidade do grupo político. A avaliação é de que movimentos individuais podem dificultar o processo de construção de consensos necessários para a manutenção da aliança nas próximas eleições.

No interior do Piauí, onde a base governista possui forte presença política, o episódio também gera repercussão entre lideranças regionais. Em municípios como Oeiras e outras cidades do território do Vale do Canindé, partidos aliados acompanham os desdobramentos e aguardam definições sobre o rearranjo das forças políticas.

A expectativa entre aliados do governo é que as conversas entre as lideranças partidárias avancem nos próximos dias para evitar o aprofundamento das divergências e preservar a unidade política construída em torno do projeto administrativo do estado.