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A Semana Santa transforma o calendário religioso de Oeiras. Mas, longe das procissões e das multidões do centro histórico, em comunidades rurais do município a data também tem outro significado: oportunidade de negócio. Na localidade Carnaubal, pequenos piscicultores atendidos pela Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF) vivem uma das melhores épocas do ano, quando o consumo de peixe dispara e os tanques viram fonte de renda real.
O aumento da demanda durante a Quaresma tem impacto direto nos ganhos de quem produz em pequena escala. O suporte da SAF vai da entrega de alevinos ao subsídio da conta de energia elétrica, passando pelo apoio à comercialização por meio dos programas de Alimentação Saudável e de Aquisição de Alimentos. Em 2025, foram adquiridas mais de 160 toneladas de peixe pelo Estado, com investimento de cerca de R$ 3 milhões, beneficiando mais de 61 mil famílias em 106 municípios piauienses.
O ritmo de 2026 é ainda mais acelerado. Nos três primeiros meses do ano, a SAF distribuiu mais de um milhão de alevinos em todo o Piauí volume que, se mantido, deve superar as 2,6 milhões de unidades entregues em 2025, quando o programa atendeu cerca de 2,6 mil famílias em 54 municípios com investimento de quase R$ 400 mil. Com taxa média de sobrevivência de 70%, a estimativa é de produção superior a 1,1 milhão de quilos de peixe e geração de mais de R$ 13 milhões em renda bruta, com média mensal de R$ 840 por família.
Para o superintendente de Ações de Apoio à Agricultura Familiar, Clébio Coutinho, o foco são os produtores de menor escala. "É uma ação direcionada ao piscicultor que produz em estruturas simples, mas com potencial real de geração de renda", afirmou. Ele destaca que a Secretaria atua em várias frentes: "Da doação dos alevinos ao subsídio de energia e ao apoio à comercialização, garantindo condições para que o produtor consiga não apenas produzir, mas também vender."
Em 2025, mais de 980 piscicultores distribuídos em 47 municípios foram contemplados com subsídio na conta de energia, com investimento estadual de R$ 5,5 milhões. A espécie mais cultivada é a tambatinga, adaptada a sistemas de pequeno porte. Em Demerval Lobão, uma unidade de beneficiamento de pescado está em fase de implantação, com aquisição de equipamentos em andamento.
Quem já sente os resultados na prática é João Batista Neto, piscicultor da localidade Marimba, em Demerval Lobão, que recebeu sete mil alevinos. "Iniciei o processo de engorda e, até agora, não tivemos perdas. Os peixes já estão com cerca de 40 gramas", contou. Para ele, o apoio faz diferença especialmente para quem opera em pequena escala. "A gente consegue ampliar o cultivo e ter mais segurança para investir. A expectativa é muito boa para os próximos meses", concluiu.



